sexta-feira, 24 de maio de 2013


Essa história de que o tempo cura é a mentira mais cruel. Porque você fica ali esperando o tempo consertar, apagar, diluir feito pó. E só o que ele faz é remoer cada pedacinho de memória, cada lembrança boa de se guardar. O que machuca é a lembrança boa do que podia ter acontecido. Quando vai chegar até a mim a cura pela tua perda? Ou eu carregarei isso como um  câncer, uma célula que morreu em meu corpo? Como eu posso conviver com esse pensamento de que depois das onze você não vem para me ajudar com o almoço e que lá pelas dez da noite eu não vou deitar a minha cabeça no teu peito e me contradizer de que eu nem gosto tanto assim de ti? Porque nós sabíamos retribuir muito bem o amor, nós só não sabíamos nos falar através dele. 
E até quem não me conhece diz que o meu rosto lembra o teu.
Que meus olhos são um reflexo dos teus. 
Eu sou a tua herança, uma parte de ti que ficou vagando nesse mundo enquanto Deus te levou a dormir um sono profundo.
(obs: isso não é um texto nem poesia, é só uma forma de expulsar a dor que lateja em toda parte do meu corpo, foram-se os tempos que eu sentia tua falta só em meu peito. Eu não sei chorar, acho que é por isso que eu escrevo. ao invés de lágrimas, eu despejo palavras).

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