sábado, 25 de maio de 2013

Dance com o vento, o abstrato te traz a vida

As cortinas dançam a melodia que o vento as impõe. E da inveja que usa de meu corpo, debruço-me sobre a janela deixando aos fios leves, mas embaraçosos de meu cabelo essa contradança. A ventania que entra assoviando pelos cômodos vai ditando os passos a serem dados. Escorregam para direita em ondas que até me parecem estar brincando. Caem sobre o ombro como a criançada aqui do bairro depois de uma longa correria, posso até imaginar um mero cansaço lhes recaindo. Tampam meu rosto, cegam meus olhos como o amor faz na gente em ares de zombaria.
Se deliciam, se movimentam e o vento se diverte. É ele quem rege a melodia, dedilha e assovia os instrumentos imaginários. Nós somos meros coadjuvantes dando um toque extra mas de nem tanta importância a essa peça, que seja musical para quem vê as correrias dançantes entre meu corpo e o manto que desse pela janela. Que seja uma ópera quando cerro meus olhos e escuto o tom muito bem afinado sussurrando por’entre os ouvidos a bela música sem traduções. Que seja teatro, circo, música ou vida.
Com os olhos não o vejo, mas eu sinto a sua presença. 
Tão abstrato à quem vê, mas tão vivo à quem sente.

G.Schardosim

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