- Eu poderia, não poderia?
- Perdão… madame?
O chofer levanta seus olhos na direção em que a mulher a sua frente observava.
- Eu poderia pisar em suas cabeças, pisoteá-los até que caíssem ao chão. Até que fossem ao pó, ao barro, ao lodo de onde vieram. Gritaria para que os corvos, urubus e todas essas aves que há quilometro sentem o cheiro da carnificina viessem e devorassem-os ainda restando um pouco de vida. Eles provariam do seu mesmo veneno, veriam seus mesmos atos vindo contrários a eles. Deixaria, que as aves sugassem suas vidas. Os levassem a morte através de gritos de dor. Mas ainda teriam pecados a mais para pagar. Este talvez fosse apenas o início de seus sofrimentos. Nem assim consigo sentir pena destes sugadores, nem assim…
- São meros miseráveis, madame. Vermes que irão devorar a si mesmos, jamais merecerão da sua piedade.
O chofer que ainda se dispunha ao lado da porta entreaberta, faz um sinal de gentileza para que a senhora viesse a entrar. A mulher, que já possuía bons números de idade, com passos lentos, vai na direção do carro e senta-se no banco traseiro.
- Para onde, minha senhora?
- Para o fim, por favor…
- G.Schardosim .
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