A tinta da caneta risca o ar? E se. E se risca eu escrevo a nossa
história com tinta preta pelo vento, em cada esquina que eu viro é uma
vírgula que se põe. E se opõe. E quando opõe eu peço ao vento, que é
nosso tormento, leva embora esse mal gosto, o desgosto de amar. O vento
que vive na mochila do tempo, onde agora está aqui, mas logo se muda pra
lá. O tempo leva o vento preso a um amor desgostado e coberto por
vírgulas de esquinas mal viradas. O tempo vai desembocar num beco. No
esgoto, ali do fim da rua, o qual já nos esgotou demais. No mais
inconveniente local pra se deixar de amar. E o ponto vai ser o lixo,
esse resto que leva séculos pra se decompor. Se as reticências não
vierem nos reciclar.
E se.
G.Schardosim
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