As cordas entrelaçam a madeira como em pedido de clemencia para não
verem mergulhar num abismo à sombra de um mar revolto, que se põe há cem
pés de meus próprios pés. A correnteza assovia meu nome, e o vento
balança a ponte como em indagação para que lado andarei. Direita, há
três metros encontro um abrigo para descansar meu corpo combatido, uma
paz de espirito e talvez um nem bem sucedido, mas doce amor -não
açucarado, e sim bem afetuoso-. Esquerda, há mais de cinco metros. Sem
muitas definições, tropeços e tábuas quebradas. Um chalé aconchegante,
um bom e atencioso acompanhante, mas um turbulento e talvez nem bem
sucedido amor. Dois campos distintos. Dois caminhos que desconheço. Dois
pés e pernas que já não andam.
Por minha mente, afundo entre estas ondas acolhedoras. Por meu corpo,
sento-me por cá mesmo, cruzo os braços e definho neste lugar. Minh’alma
interrogativa persevera, acredita criar asas e voar ao horizonte. Sem
leste ou oeste, apenas ao norte ou sul.
De todas as alternativas que meu ser sugere, prefiro acreditar criar asas e partir.
G.Schardosim
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