segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Rasguei o véu da noiva no caminho do altar, transformei nosso amor em poesia, esta que agora nos faz companhia junto a outras drogas acolá. Nos deleitamos da lua-de-mel em nossos sonhos sem nexos. Assassinamos o juiz de paz, definhamos na porta de entrada. Raptei as damas de honra e entreguei-as cada uma para seu devido par.
Para que uma celebração tediosa?
Ao invés do buquê lanço uma garrafa de whisky para as solteironas, e que estas saibam aproveitar. Abandono os passos lentos que me dão tremeliques e corro tropeçando nas palavras até nos teus braços poder me atirar. Fugimos pela porta dos fundos, numa lata-velha que você jura um dia se livrar, mas que faltam forças para as tuas próprias promessas acatar.
Os cúmplices fugiram do ato conjugal, fugiram da sociedade que os força a fazer tudo sempre igual. Hoje, nós somos casados. Hoje, eles são namorados. Hora na primeira pessoa do singular, hora na terceira do plural.

G.schardosim

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