Rasguei o véu da noiva no caminho do altar, transformei nosso amor em
poesia, esta que agora nos faz companhia junto a outras drogas acolá.
Nos deleitamos da lua-de-mel em nossos sonhos sem nexos. Assassinamos
o juiz de paz, definhamos na porta de entrada. Raptei as damas de honra e
entreguei-as cada uma para seu devido par.
Para que uma celebração tediosa?
Ao invés do buquê lanço uma garrafa de whisky para as solteironas, e
que estas saibam aproveitar. Abandono os passos lentos que me
dão tremeliques e corro tropeçando nas palavras até nos teus braços
poder me atirar. Fugimos pela porta dos fundos, numa lata-velha que você
jura um dia se livrar, mas que faltam forças para as tuas próprias
promessas acatar.
Os cúmplices fugiram do ato conjugal, fugiram da sociedade que os
força a fazer tudo sempre igual. Hoje, nós somos casados. Hoje, eles
são namorados. Hora na primeira pessoa do singular, hora na terceira do
plural.
G.schardosim
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