domingo, 19 de agosto de 2012

Por qual motivo não me livro das provas?

Seja qual for a arma do crime. Um canivete, uma faca, uma caneta, um lençol… Não se indigne, há muitos tipos de crime e muitas formas de matar alguém. Eu faço tudo muito bem especulado, sempre bem premeditado. Planejo cada detalhe em meus longos segundos de reflexão.
Até que esqueço de limpar o sangue, deixando sujas as minha vestes que sempre são vistas em tons tão puros. Deixo o intermediário guardado em um canto obscuro. Onde se um bom “futricador” de coisas alheias vir a mexer, encontrará as provas que tanto quis eu  enterrar em um campo qualquer, jogar em uma correnteza. Mas que por culpa da preguiça que recai sobre este corpo, ou talvez por já nem haver mais preocupação em ser pego ou não, deixo por ali, contando que não me traga confusões.
Entretanto, se chegam a observar o velho canivete de feições tão culpadas em lugares um tanto duvidosos, como dentro de uma gaveta antiga. O lençol jogado para baixo da cama, aquela tão receptora nessas noites frias. O sangue ainda escorrendo pelas peças que eu não soube e nem tive intento de limpar. Não adiantará mais usar de voz doce e persuasiva, muito menos me aproveitar da face inocente que recebi em minha formação. As presas estarão bem afiadas e o veneno fluindo por entre as saliências dos lábios. Nenhum ser com o mísero de inteligência acreditará em uma par de olhos predadores.
Conselho final: Se livre das provas!

G.Schardosim

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