Seja qual for a arma do crime. Um canivete, uma faca, uma caneta,
um lençol… Não se indigne, há muitos tipos de crime e muitas formas de
matar alguém. Eu faço tudo muito bem especulado, sempre bem premeditado.
Planejo cada detalhe em meus longos segundos de reflexão.
Até que esqueço de limpar o sangue, deixando sujas as minha vestes
que sempre são vistas em tons tão puros. Deixo o intermediário guardado
em um canto obscuro. Onde se um bom “futricador” de coisas alheias vir a
mexer, encontrará as provas que tanto quis eu enterrar em um campo
qualquer, jogar em uma correnteza. Mas que por culpa da preguiça que
recai sobre este corpo, ou talvez por já nem haver mais preocupação em
ser pego ou não, deixo por ali, contando que não me traga confusões.
Entretanto, se chegam a observar o velho canivete de feições tão
culpadas em lugares um tanto duvidosos, como dentro de uma gaveta
antiga. O lençol jogado para baixo da cama, aquela tão receptora nessas
noites frias. O sangue ainda escorrendo pelas peças que eu não soube e
nem tive intento de limpar. Não adiantará mais usar de voz doce e
persuasiva, muito menos me aproveitar da face inocente que recebi em
minha formação. As presas estarão bem afiadas e o veneno fluindo por
entre as saliências dos lábios. Nenhum ser com o mísero de inteligência
acreditará em uma par de olhos predadores.
Conselho final: Se livre das provas!
G.Schardosim
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