domingo, 19 de agosto de 2012

Don Juan beija flor em flor.

Lá vem o beija-flor roubar o pólen recluso entre as pétalas que revestem meu corpo. Em pé de vento se escorrega para o lado das formosas moças, o senhor namorador, distribuidor de beijos. Um semblante meio Don Juan conquistador. Uma piscadela para cá e a moça-flor-donzela se desfaz igual açúcar quando derramado em água corrente que resvala até rolar ralo abaixo, até cair nos braços do amante. Descobri em teus trejeitos porque tu recebes essas asas sarapintadas ao cair no berço. Tudo não passa de uma bela armação, um figurino bem feito, como fazem nas telenovelas para prender olhares alheios. Até que por fim consegue desarmar um peito consolante, desfazer as armaduras. Uma bela jovem despencou em queda livre, caiu em tua arapuca.
Lá ao longe já posso ver o Don Juan, as malas prontas e a carruagem a caminho. Fugitivo de seu ninho antigo foi fazer de outra flor seu novo abrigo. Já feito gastos nesta terra seca de chuvas e farta de mulheres, se foi antes de cair ao pó da terra por culpa de alguma espingarda de dono pouco importante neste trecho. Don Juan não divide atenções.
Minha terra que como já disse era seca, de empoeirar a pele e bronzear os rostos pálidos, depois da ida do senhor namorador chove de dia e de noite, chovem poças dos olhos das moças jeitosas. E pra quem não sabe, foi assim que se formou lagoa em minha cidade, é choro de donzela por beija-flor ladrão de pólen’amor.

G.Schardosim

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