quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Alma que me mata



Tenho dúvidas, se o vento que corre do lado de fora é mais frio que o tom da sua voz. Eu posso ouvi-lo, sim posso. Escuto desde o tom morno de sua respiração que já me trouxe delírios ao pé do ouvido, até a sua voz melosa e morta. Dizem que o sofrimento liberta uma alma escritora, pois veja bem, quando sofro as palavras se escondem em minha mente. 
Fecho meus olhos…
E em meus ouvidos sou capaz de sentir as batidas lentas do coração, que se encontra preso em meu peito. Pensamentos perturbados, não tenho consciência do que lhe dizer. Tudo se transforma em uma estranha confusão. Tudo isso, pois desaprendi a cuidar de um amor. Eu lhe firo com minhas palavras, mas estas parecem atingirem a mim mesma. Eu não sei, não sei lhe ferir sem sofrer. Meu peito arde, meu coração não bate mais. Sufoco-me. Como pode, nossos corpos se ligarem dessa forma. 
Eu te sinto em mim. Ou melhor, nossas almas já se uniram. Agora, o mesmo amor que há em teu peito, sustenta o meu. 
Te matar, se tornou um suicídio. 
É assim, quando um coração depende do outro para bater…

G.Schardosim 

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