sábado, 18 de agosto de 2012

Travessuras


— O que é isso em teus joelhos?
— Oras, machucados… Nunca os teve?
Ele a olhou, relembrou a infância. Ter os teve, mas estes nem existiam mais.
A menina inquieta, começou a contar como arranjara cada machucadinho de suas  pernas finas.
— …Veja, veja! Este aqui, o consegui quando subia na goiabeira que há na casa de minha avó. O senhor gosta de goiabas? Pois eu as adoro, e sempre como quando vou à casa de vovó. Mamãe geralmente se chateia por eu não obedece-la, e diz que sou uma menina travessa. Sabe, toda vez que vou para a chácara, eu juro a mim mesma, não chatear mamãe… Mas, o senhor deve saber como é, não é mesmo? Você ver aquela flores, frutas lá no alto. Eu nunca quero as que estão por baixo, quero ir ao encontro das mais altas. É bom… Lá em cima o vento sopra meu cabelos, o ar fresquinho me arrepia. E as goiabas do topo, são sempre as melhores!
A menina solta um gritinho de ansiedade.
— Oh, vamos senhor. Agora me conte, você teve machucados, não é? Mamãe diz, que meninas não devem pirilampar por aí, que isso são coisas de meninos. Mas venha cá, senhor. Não conte a mamãe que eu o disse. Vovó me contou que ela era tão travessa quanto, quando menor. Hoje ela age assim só porque é adulta. E adultos não ficam de traquinagens. Mas diga, adoro ouvir histórias, porque o senhor não as conta para mim? Onde tem cicatrizes, e… e como conseguiu-as?
Ele olha seu corpo, verifica os joelhos, as mãos.
— Não tenho mais minhas cicatrizes, elas se foram com o tempo. Mas nunca fui tão travesso como tu, menina. Por diabos, até parece ligada à tomada.
— Mas veja só, como pode isso? Até mamãe tem cicatrizes. Veja só senhor, até mamãe! Ela contou que deixou que caísse do peito, o pobre coraçãozinho. Se despedaçou senhor, mamãe teve que encher de remendos. E ela me conta que ele nunca mais sarou. Por isso, a acho forte. Quase morro de dores quando machuco meus joelhos, imagine a dor de mamãe…  anda por aí com o coração todo quebrado!
G.Schardosim

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